Jornal O Sollo - Terça-feira, 23 de Junho de 2009 às 15:24
A Associação de Apoio Integral aos Portadores de Fissura Lábio Palatal, AAIF, realizou a primeira cirurgia. Mantida pela Organização não-Governamental Smile Train, que é americana, a entidade já começou a captação de pacientes para acompanhamento e operação. A primeira cirurgia já aconteceu hoje e foi bem sucedida, foi como a inauguração da entidade, pois os médicos já realizavam esse tipo de trabalho voluntário há anos. Uma equipe multidisciplinar faz parte da associação, que conta com total apoio da equipe do Hospital Luis Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, principalmente da direção geral e clínica, que abraçou o projeto de forma voluntária. Os pontos de triagem são o ambulatório de cirurgia buco-maxilo-facial do Hospital Luis Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, toda 5ª-feira, às 14h, o Centro Especializado Odontológico CEO, na Praça do Centauro, em Eunápolis, toda 2ª, 4ª e 6ª pela manhã e Opus Dei Clinic, na Rua Tomé de Souza, 105, centro de Eunápolis. Ou pelo telefone (73) 3261 4411, falar com Daiana. O paciente deve levar documentos pessoas para ajudar no cadastro (principalmente porque a maioria são crianças. Outro fator importante é o acompanhamento dos pais para dar informações sobre como foi a gestação) e então será feito o diagnóstico, acompanhamento, preparo e então cirurgia.
O cirugião buço-maxilo-facial Eros Shigeto explica que em muitos casos o paciente chega desnutrido, com infecções nos ouvidos, entre outras coisas que precisam ser tratadas para então encaminhar para a cirurgia, que não é definitiva. Depois de adulto, o fissurado (paciente que tem lábio leporino) tem que passar por outra intervenção. De acordo com o site http://200.189.113.52/caif/index.html, fissura lábio palatal, ou como popularmente é conhecida – Lábio Leporino, “é uma abertura no lábio ou no palato, podendo ser completa, lábio e palato. Essas aberturas resultam do desenvolvimento incompleto do lábio e/ou do palato (céu da boca), enquanto o bebê está se formando, antes de nascer”.
A entidade tenta ter sede própria e estrutura maior, e para isso precisa de parcerias com empresas locais e mais médicos interessados no trabalho voluntário. Por haver poucos centros de atendimento especializado e gratuito para essa deformidade, os médicos envolvidos no projeto calculam uma grande demanda. Não há cobertura no Espírito Santo, parte de Minas Gerais e na Bahia, pois no estado só tem um centro em Salvador. “No Brasil, apesar de ser escasso o investimento em pesquisas para atualização dos dados, pode-se afirmar que para cada 1.000 nascimentos, 2 crianças apresentam fissura lábio-palatal,sendo a mortalidade no primeiro ano de vida em torno de 30%”, afirma o site.
Centrinho é um exemplo em Bauru/SP, onde a Ong americana mantém e conta com apoio de empresas locais, outra em São Paulo, fica em Barretos, o Hospital do Câncer que conta com doações de artistas reconhecidos no país inteiro. Outra luta é conseguir um terreno, porque o projeto arquitetônico já foi prometido. O cirurgião muco-maxilo-facial Patrick Fadini fala que são pacientes de difícil acesso, porque muitos passam por processo de exclusão social, ficam trancados dentro de casa, com problemas sociais e econômicos. As causas para a doença são divididas em fatores ambientais e genéticos, sendo que as ambientais incluem desnutrição da gestante, uso de drogas e álcool, além de medicamentos tomados sem prescrição médica. Outros médicos que compõem a associação são os cirurgiões plásticos Leonardo Canhestro e Marco Aurélio Assis, além de toda a equipe do HLEM e está aberta a todos que tiverem interesse em contribuir com trabalho ou parcerias.
A pessoa que tem lábio leporino não tem retardo mental, pode apresentar problemas na fala, dificuldade na alimentação, na audição, na articulação dentária e a que fica mais nítida, a estética da face. “Existem diferentes tipos de Fissura Lábio-Palatal, elas atingem os lábios, lábios e céu da boca e algumas só o céu da boca, podem ser uni ou bilateral”, afirma o site. A Smile Train financia 50 cirurgias e exige comprovação da aplicação dos recursos nos pacientes com prontuário eletrônicos. Além disso, chegou o convite da Ong americana para que médicos voluntários da AAIF façam intercâmbio com vários países. A AAIF atende a crianças e adultos.
por: Ana Carolina Madeira