Correio Braziliense - Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007 às 07:29
Solano Nascimento
Da equipe do Correio
Entre os dias 4 e 20 de agosto,
pesquisadores perguntaram a brasileiros qual é a instituição na qual
eles mais confiam e qual deve ser a mais relevante no combate à
corrupção. Eram dias em que veículos de comunicação de todo o país
mostravam o Supremo Tribunal Federal (STF) preparando o julgamento, que
começaria no dia 22, do caso do mensalão, e o Senado discutindo a
possibilidade de cassar o mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL),
presidente da Casa. A resposta ao levantamento: a Polícia Federal foi
considerada a instituição mais confiável do país e também aquela na
qual os entrevistados mais depositam a esperança de combate à
corrupção.
Feita numa parceria entre a Associação dos Magistrados do Brasil
(AMB), a Universidade de Brasília (UnB) e a Opinião Consultoria, a
pesquisa ouviu 2,1 mil pessoas. Da amostra, 75,5% consideraram a PF a
instituição mais confiável. Em segundo lugar, aparecem as Forças
Armadas, citadas por 74,7% dos entrevistados, e em terceiro ficou o
juizado de pequenas causas, mencionado em 71,8% das respostas. Em
relação ao combate à corrupção, a PF, com 25,1% das referências, está à
frente do Ministério Público (22,8%), da sociedade civil (12,9%), do
Judiciário (9,7%) e do Tribunal de Contas da União (5%).
Para Ricardo Caldas, professor do Instituto de Ciência Política
(Ipol) da UnB, chama a atenção a relação entre o terceiro e o quarto
lugar da lista. “A sociedade confia mais nela mesma que no Judiciário
para combater a corrupção”, afirmou. A pesquisa foi feita por telefone,
o que deixou fora da amostra os brasileiros que não dispõem desse meio
de comunicação. “Isso não altera muito o resultado”, disse David Lima,
da Opinião. Quem aparece mal, como um todo, é o Poder Legislativo. A
Câmara dos Deputados e o Senado têm altos níveis de desconfiança —
83,1% e 80,7%, respectivamente —, e vereadores não são confiáveis para
74,1% dos entrevistados.
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--> Otimismo e reforma --> Ainda que demonstrem altos níveis de desconfiança em relação a quase todas as principais instituições do país, brasileiros não são pessimistas quanto à possibilidade de mudança do cenário atual. Perguntados se a corrupção pode ser combatida, 84,9% dos entrevistados disseram que sim, e 14,1% responderam negativamente. A AMB, uma das maiores defensoras da realização da reforma política no país, incluiu uma questão sobre o tema na pesquisa, e 95,4% dos entrevistados disseram considerar o assunto importante. Para os responsáveis pelo levantamento, não é certo, no entanto, que a população tenha consciência do que deve ser feito. “A sociedade não sabe quais são as possibilidades”, disse Ricardo Caldas, da UnB. Rodrigo Collaço, presidente da AMB, afirmou não ter sido possível esclarecer a população a respeito de itens dos sistemas eleitoral e político que precisam ser alterados. --> |