IBJ - Terça-feira, 30 de Outubro de 2007 às 06:31
Todos os anos, entre julho e novembro, as baleias Jubartes (Megaptera novaeangliae) atraem a atenção na costa baiana e capixaba. Nesse período, elas migram das águas subantárticas em busca da temperatura amena do litoral brasileiro para acasa-lar, dar à luz e amamentar seus filhotes. Os trabalhos de monitoramento e pesquisa realizados há 19 anos pelo
Instituto Baleia Jubarte (IBJ).
Responsável pela proteção e pesquisa da espécie no Brasil, o IBJ possui duas bases de pesquisa e educação ambiental, uma em Caravelas, extremo Sul e outra em Praia do Forte, litoral norte da Bahia, além de realizar expedições perió-dicas em outros pontos da costa e de manter uma base temporária) em Itacaré, no “meio do caminho” entre as duas bases.
A bióloga Márcia Engel, diretora presidente do Instituto Baleia Jubarte, revela que, segundo levantamento realizado em 2005, uma população de cerca de 6 mil baleias migra todos os anos para o litoral brasileiro, desde o Rio Grandedo Norte até o Rio de Janeiro. O local de maior concentração reprodutiva é o Banco dos Abrolhos, no sul da Bahia.
Em 2006, os pesquisadores avistaram 1.351 animais, sendo 188 filhotes. Foram realizadas 668 fotoidentificações na costa baiana. A fotoidentificação é feita por meio de desenhos na cauda das jubarte e representa a principal ferramenta de pesquisa da espécie.
“As fotografias servem como uma carteira de identidade das baleias, pois a coloração da cauda, tal qual uma impressão digital, nunca se repete de um indivíduo para o outro”, explica a bióloga. O catálogo do Instituto Baleia Jubarteé o 2º maior do Hemisfério Sul, com cerca de 2.599 baleias identificadas - apenas o da Austrália possui um número maior de baleias catalogadas - e é o único organizado por apenas uma instituição .
Todos os anos, elas percorrem cinco mil quilômetros, a partir da Antártica, em busca das águas mornas, rasas e cristalinas do extremo sul da Bahia.